16 de jan. de 2015

JESUS ACALMA A TESPESTADE

Mateus 8.18,23-27; Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25
Mc 4:35-41:
Naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes Jesus: Passemos para a outra margem.
E eles, despedindo a multidão, o levaram assim como estava, no barco; e outros barcos o seguiam.
Ora, levantou-se grande temporal de vento, e as ondas se arremessavam contra o barco, de modo que o mesmo já estava a encher-se de água.
E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos?
E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança.
Então, lhes disse: Por que sois assim tímidos?! Como é que não tendes fé?
E eles, possuídos de grande temor, diziam uns aos outros: Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

INTRODUÇÃO
O Mar da Galiléia, também conhecido como lago de Tiberíades, tem cerca de 21 km de comprimento por 12 km de largura, fica a 200m abaixo do nível do mar. Recebe águas vindas do monte Hermon e está cercado de outros montes. É comum acontecerem ali tempestades repentinas, fruto do choque dos ventos frios vindos das montanhas com o ar quente da superfície do lago.
A tempestade assusta e traz medo até mesmo aos pescadores mais experientes. Uma travessia rotineira pode transforma-se num grande desafio de fé. Eles enfrentariam outra tempestade, quando Jesus vai ao encontro deles andando sobre as águas (Mt 14:22-33; Mc 6:45-51; Jo 6:15-21)
Marcos e Lucas situam o episódio após o ensino de Jesus através de várias parábolas (Mc 4:1-34, Lc 8:4-21). Ao que tudo indica, os discípulos não fortaleceram sua fé com o ensino de Jesus. Mateus no mesmo capítulo (8:5-13) descreve o milagre da cura do servo do centurião, exemplo de um homem de grande fé.
Jesus dá provas de sua natureza terrena, estando sujeito à exaustão de um dia inteiro ensinando e curando a muitas pessoas.
Marcos registra outras censuras de Jesus aos seus discípulos: 4.13,40; 7.18; 8.17s,21,33; 9.19. Todas apontam as suas dúvidas quanto ao senhorio de Cristo.

LIÇÕES QUE O MILAGRE NOS ENSINA
1.    As tempestades não aparecem somente quando desobedecemos a Deus. Jonas enfrentou uma tempestade em sua desobediência para que pudesse voltar para Deus (Jn 1:4-17). Os discípulos enfrentaram a tempestade tendo o Filho de Deus no barco, participando do seu ministério.

2.    O maior perigo não era o vento e nem as ondas, mas a incredulidade do coração dos discípulos. O nosso maior problema muitas vezes está dentro de nós mesmos. Jesus lhes repreendeu a pequena fé, pois eles já tinham visto tantos milagres, mas ainda não acreditavam. O medo decorrente da incredulidade os fez questionar se Jesus, de fato, se importava. Portanto, tome cuidado com o “perverso coração de incredulidade” (Hb 3:12);

3.    Os discípulos tinham pelo menos três bons motivos para não terem medo, apesar da situação tão ameaçadora:
a.    Tinham a promessa de Jesus de chegarem ao outro lado (Mc 4:35). Não prometeu uma viagem fácil e sim que chegariam ao outro lado;
b.    Jesus estava com eles. Poderiam ter certeza que o Mestre saberia lidar com aquela situação. Como diz a letra de um cântico: “com Cristo no barco tudo vai muito bem”;
c.    Mesmo no meio da tempestade Jesus estava absolutamente tranquilo. Deveriam seguir seu exemplo. Jesus fazia a vontade do Pai e sabia que Deus estava cuidando dele. “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro” (Sl 4:8). Jonas, no entanto, dormiu durante a tempestade com uma falsa sensação de segurança: dormia o sono dos descuidados

23 de out. de 2014

IMPEDIMENTOS PARA UMA COMPLETA DEPENDÊNCIA DE DEUS

Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. [...]porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:4a,5b)

    O Senhor Jesus ensina aqui aos discípulos um princípio fundamental da vida cristã: nossa ligação essencial com Ele, o próprio Jesus. Usando a figura da videira e seus ramos, o Mestre condiciona a produção de frutos com a permanência nEle. Um ramo não produz fruto sozinho, desconectado do tronco de onde nasceu. Nós passamos a ser novas criaturas quando nascemos em Cristo. Fomos destinados a viver nEle e glorificar o Pai com nossas obras, produzindo frutos.
    É essencial para nossas vidas esta dependência, assim como os ramos dependem da videira para existirem e darem frutos. No entanto, como vivemos em meio a uma batalha espiritual e temos um inimigo que trabalha dia e noite para nos afastar de Deus, precisamos estar atentos às tentações que ele colocará em nosso caminho para impedir esta total dependência.
    O primeiro impedimento é a tentação da autojustificação. Ela tem duas dimensões: diante de Deus somos tentados a nos auto justificarmos com nossos méritos para obtermos o seu favor. Diante dos homens somos tentados à manter uma aparência de santidade e, até mesmo, de superioridade. Jesus conta a parábola do fariseu e do publicano que sobem ao templo para orar (Lc 18:9-14). O fariseu se gabava de não ser igual aos pecadores, pois jejuava duas vezes por semana e dava o dízimo de tudo quanto ganhava. O publicano apenas batia no peito e suplicava a Deus: “sê propício a mim pecador”. Jesus afirma que o publicano foi justificado e não o fariseu. Não devemos achar que nossas boas ações nos fazem superiores aos outros ou que sejam suficientes para nos fazer merecer o favor de Deus. As obras não compram a salvação e nem o favor divino (Rm 3:19,20). Nossos atos de justiça não passam de trapos de imundícia (Is 64:6). Caminhando pela trilha da autojustificação corremos o risco de cair no legalismo, fazendo exteriormente o que é certo, mas tendo o coração longe de Deus, agindo com hipocrisia (Mt 23:27,28).
    O segundo impedimento é a tentação da autossuficiência. Podemos achar que as nossas posses materiais ou intelectuais, a formação acadêmica ou o status sejam suficientes para nos garantir vida tranquila e segura. Precisamos lembrar-nos da transitoriedade da vida e da fragilidade de tudo que está ligado à nossa existência. Riquezas, conhecimento, status, tudo passa. Quanto mais nos apoiamos em valores e bens transitórios, mais nos achamos independentes (Lc 12:16-20). À igreja em Laodicéia Jesus lança o alerta: “Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”. Aquele que pensa que sabe muito, que tem tudo e alcançou o suficiente, ainda precisa acordar.
    Finalmente, o terceiro impedimento à total dependência é a autoexaltação. Algumas pessoas sentem a necessidade de falar de si mesmas o tempo todo. Estão sempre reafirmando o que fizeram, o que gostam e não gostam e todas as suas façanhas, como se fossem o centro do universo. Muitas vezes não passa de insegurança, mas também uma maneira de reforçar independência. Jesus alertou os seus discípulos em Mt 23:1-12 sobre a soberba dos escribas e fariseus que gostavam de praticar boas obras para serem vistos, amavam os primeiros lugares e de serem reconhecidos publicamente como mestres. Mas, só existe um Mestre que é o Senhor Jesus. Ele mesmo ensinou que os que se exaltam serão humilhados e que os que se humilham serão exaltados. Também deu o exemplo lavando os pés dos discípulos. Precisamos almejar a aprovação de Deus antes da exaltação por parte dos homens. A vaidade é um empecilho para a total dependência de Deus.
   A autojustificação nos conduz ao legalismo e à hipocrisia. A autossuficiência só produz soberba e a autoexaltação alimenta nossa vaidade. Todas estas tentações nos impedem de sermos ramos ligados e dependentes da videira.
(resumo do sermão pregado no culto matutino na IP Jd. Guanabara no dia 19/10/14)

28 de set. de 2014

A PESCA MARAVILHOSA


(Lição da classe de EBD na IP do Jd. Guanabara em 28/09/14)

Lc 5:1-11
INTRODUÇÃO
                Os evangelhos registram que Jesus operou dois milagres de multiplicação de peixes na pesca de seus discípulos. O primeiro, que vamos analisar aqui, é registrado em Lucas 5:1-11 e o segundo em Jo 21:1-14.
Jesus está junto ao lago de Genesaré, que também é conhecido como mar da Galiléia (Mt 4:18; Mc 1:16) e mar de Tiberíades (Jo 6:1; 21:1), e a multidão começa a chegar mais perto. Ele vê alguns pescadores lavando suas redes e entra no barco de Pedro, pedindo que afastasse um pouco da margem. Assentando-se no barco passa a ensinar as multidões. Acabando de falar dirige-se a Simão dizendo que ele deveria jogar as redes para pescar. Pedro responde que havia tentado pegar algum peixe durante toda a anoite e não conseguira nada, porém, sob a palavra do Mestre, ele lançaria as redes. Fazendo isso, ele e seus companheiros apanham tamanha quantidade de peixes que as redes não aguentavam de tanto peso, sendo necessário dois barcos para recolher a preciosa carga, fruto de um milagre.
                Este fato maravilhoso faz com que Pedro reconheça sua indignidade e seu pecado diante do Filho de Deus e seus companheiros ficam impressionados. Jesus então o convida a ser pescador de homens e Simão Pedro passa a segui-lo juntamente com Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios na pesca.

LIÇÕES QUE O MILAGRE NOS ENSINA
1.       Deixe seus pertences e sua profissão à disposição de Jesus
Jesus escolheu o barco de Pedro para ser uma espécie de plataforma onde pudesse ensinar as multidões. Simão não se opôs, ao contrário disponibilizou sua ferramenta de trabalho, o barco que usava para pescar, para servir de púlpito para o Mestre.
               Aquilo que possuímos, na verdade não é nosso, vem das mãos de Deus (I Cr 29:10-14). Tudo o que Deus nos dá, os bens materiais e a nossa profissão, de onde tiramos o sustento para nossa família, devemos administrar como bons mordomos.
               Pense quão útil pode ser na obra do Senhor os seus conhecimentos profissionais, seus talentos e toda a bagagem de experiência que você acumulou ao longo de sua vida.
2.       Obedeça e tenha fé, por mais difícil que pareça
Mesmo tendo tentado pegar peixes a noite toda, Pedro obedece, pois era o Mestre quem estava falando. Sob a palavra de Jesus nenhuma tarefa é impossível ou demasiada difícil de realizar e sempre encontra êxito.
3.       Compartilhe a benção
Diante de resultado tão abundante, Pedro chama seus companheiros para ajudar e, naturalmente, dividiu o resultado da pesca maravilhosa com eles. Não foi egoísta, compartilhou a benção.
4.       Convença-se de que é indigno e pecador
Quanto mais perto de Deus e de sua majestade e santidade, mais indigno e pecador o homem se enxerga. Pedro percebeu com o milagre o quão pequeno seus pecados o deixavam, assim como Abraão (Gn 12:27), Jó (42:6) e Isaías (6:5).
5.       Receba a missão que Deus está te dando
Jesus declara sobre a vida de Pedro um novo propósito, uma nova direção: ser pescador de homens. Como comparar milhares de peixes com as vidas de homens, mulheres, jovens e crianças que estão carentes de ouvir a respeito de Jesus? Repare: Pedro é chamado para o discipulado após a 1ª pesca maravilhosa e após a 2ª pesca maravilhosa (Jo 21:1-14) ele é chamado ao apostolado.
6.       Dê prioridade às prioridades de Deus. Ele supre as necessidades (sustento e unção)
Aquele dia foi de decisão não somente para Simão Pedro, mas também para André, Tiago e João (veja também em Mt 4:18-22; Mc 1:16-20). Deixaram suas redes para seguir a Jesus. Não tiveram preocupação de abandonar os barcos e as redes, pois já tinham visto que Jesus providencia o sustento necessário quando assumimos as prioridades do reino. Não precisariam também se preocupar em como cumprir a missão, pois o Espírito falaria por eles (Mt 10:19; Lc 12:11,12).
Fontes: Bíblia versão Revista e Atualizada; Bíblia de Estudo NVI; William MacDonald - Comentário Bíblico Popular; Earl D. Radmacher – O Novo Comentário Bíblico; Warren Wiersbe – Comentário Bíblico Expositivo

20 de set. de 2013

ALCANÇANDO UMA ESPIRITUALIDADE SAUDÁVEL

Vivemos em um tempo repleto de pressões e tendências negativas que podem influenciar nossa relação com Deus e com os irmãos. São males do nosso tempo que precisamos identificar:

1- Mal do utilitarismo. Percebemos que as pessoas e instituições são valorizadas pela utilidade que representam, conforme a conveniência dos indivíduos. Assim, amizades são feitas e mantidas na conveniência do que podem render. O amigo rico, o amigo que pertence à diretoria de uma grande empresa, o amigo que é amigo de famosos etc. O mesmo pode acontecer com a igreja, quando pessoas estão mais interessadas no que podem receber da comunidade. Assim, buscam a igreja que promete a cura, a prosperidade, aquela com o grupo mais “animado” ou com as programações mais frequentadas. Isso tudo leva ao enfraquecimento das relações e a uma cultura do descartável.

2- Acúmulo de informações. Nosso dia a dia é bombardeado de informações através da televisão, do rádio, jornais, revistas e da Internet. A quantidade de informações torna-se massificante e não conseguimos digerir tudo. O resultado são opiniões periféricas sobre diversos assuntos. Conhecimento generalizado sobre tudo. Muitos passam a defender pontos de vista baseados naquilo que ouviram falar, mas não tiveram tempo de refletir ou investigar a fundo. A consequência para nossa espiritualidade é o desinteresse pelo estudo bíblico. Pra que estudar se o Google pode me dar todas as respostas?

3- Pluralismo religioso. Nunca tivemos tanta exposição de práticas religiosas a nos influenciar. As novelas, por exemplo, sempre apresentaram convicções espíritas e agora as budistas. As igrejas de tendência neopentecostal dominam horários da TV aberta e apresentam práticas repletas de misticismo nos diversos rituais, obrigações, correntes e inovações litúrgicas. Da mesma forma acentuam o sincretismo, trazendo influencias do candomblé e umbanda para os seus rituais. A consequência é a confusão de conceitos e a construção de uma religião pragmática onde o que importam são os resultados, que se alcançam obedecendo a fórmulas pré-estabelecidas. Ao mesmo tempo faltam certezas. Os crentes não conhecem nem as doutrinas cristãs mais básicas.

4- Mercado de Trabalho competitivo. Os jovens estão sendo formados nas escolas e faculdades com o foco na carreira. Terminam a graduação e se engajam no mestrado e doutorado e especializações. Até mesmo as crianças estão sendo envolvidas nesta corrida, disputando vagas em escolas concorridas. Tudo visa à construção de carreiras e a colocação no mercado de trabalho que se mostra cada vez mais competitivo. O resultado é a falta de tempo para a família, para a igreja e para atividades que promovam a espiritualidade.

5- A Fé mercantilizada. A associação entre os dízimos e ofertas e as bençãos de Deus está levando ao entendimento errôneo de que a benção pode ser comprada. Este é o retorno da simonia, prática de venda de favores divinos, cargos na igreja, prosperidade e bens espirituais. O termo é originado do nome de Simão o mago que quis comprar dos apóstolos o poder do Espírito Santo (At 8:18,19). Como consequência estamos vendo surgir igrejas adaptadas à lei de mercado. Quem tem capital pode ter a benção maior, quem não tem fica a margem. O membro é valorizado então pelo que pode pagar.

Precisamos então desesperadamente buscar uma espiritualidade mais sadia para as nossas vidas. Uma espiritualidade que valorize o estudo bíblico doutrinário, que nos leve a usar com sabedoria o nosso tempo, aplicando-o em coisas úteis.

Uso aqui a analogia dos exercícios físicos e sua utilidade para o nosso corpo. Quem não se exercita e tem vida sedentária, quem se alimenta mal, consumindo frituras, gordura em excesso, muito açúcar etc está mais sujeito às doenças do nosso tempo: hipertensão, diabetes e até mesmo depressão. Por outro lado, quem se exercita regularmente e tem uma dieta balanceada se previne destas doenças.

O crente que se aplica à evangelização, que toma tempo para ler e estudar a Bíblia, que valoriza o tempo que passa na igreja e na comunhão com os irmãos, vê os resultados em sua espiritualidade.

Precisamos vivenciar uma igreja hoje denominada de igreja missional, onde o importante são as pessoas e não o prédio, a estrutura. Uma igreja que não vive das programações, mas que se programa para viver a comunhão. Composta de crentes cujo objetivo de vida é fazer cumprir a missão de compartilhar o Evangelho a todo tempo.

Acima de tudo precisamos buscar uma espiritualidade gratificante, que nos faça bem e nos faça sentir bem, porque é fundamentada na verdade da Palavra de Deus, porque busca a prática do cristianismo puro e simples que nos ensinam os Evangelhos.

(resumo adaptado da mensagem pregada no culto da manhã do dia 08/09/2013 na Igreja Presbiteriana do Jd. Guanabara – Ilha do Governador – Rio de Janeiro/RJ)

28 de jan. de 2013